O SOM DA PRATA

de JOÃO BOTELHO

"Quando eu era muito menino, 5, 6 anos, o meu tio Custódio, na cave da sua casa em Vila Real de Trás-os-Montes, passava dias, noites inteiras, a bater cinzeis de todos os tamanhos e feitios com pancadas milagrosas em folhas de prata. Transformadas em relevos de rosas e anjos faiscavam nos meus olhos inocentes e comoviam-me a alma, que na altura julgava ter.
 Era um artista da prata! Seis décadas depois eis-me perante dezenas de artistas, mesmo que apoiados em enormes e sofisticadas máquinas, com a mesma delicadeza e sabedoria a moldar e terminar magníficas peças que espalham pelo mundo. E os sons diferentes, múltiplos dos trabalhos sofisticados e precisos desta pequena multidão que devolve à prata o seu brilho único! 
E fico contente por saber que existe em Portugal esta fábrica e que existe esta gente!"